Poeta 87 de 102

Aluísio Martins

AMAZÔNICAS

o rio dá orgasmo nas beiradas — se cabeceira nos barrancos sobe os cipós coloridos as safadezas luscam-fuscam aos absurdos — tomam cheiro por léguas boca rosada na boca — a xícara bebe o chá das cinco sente vísceras com as colmeias apetecendo — o embuá enrosca seus apetrechos Desvirgulamos indizíveis saudáveis — palavras sanguíneas ambições semânticas pornográficas a mulher que não fecha os olhos maciços — diz que a ela tem criminalidade perdoável

Aluisio de Martins Rodrigues é poeta e estudante de arte contemporânea. Pesquisa poesia contemporânea com abordagens biopoéticas, híbridas e experimentais.