Poeta 75 de 102

Cristiano Cobra

POEMA DA GOTA SERENA

Na gravidade ela desce

Límpida gota serena

Onda de desejo e prece

Úmida na raiz morena


Calmamente vem do alto

Entre os olhos grandes, sábios

E prepara um belo salto

Do nariz até os lábios

Do pescoço delicado

Vem dançando pelo meio

Templo de solo sagrado

A dupla púrpura do seio


E embarca a grande viagem

Na descida clandestina

Só o som mas não a imagem

Cheiro da pele felina

Na convenção da cintura

Deixa a gota o seu legado

Hidratada a escultura

Sente o gosto do pecado


E depois de um espiral

Nas pernas extravagantes

Faz o seu mergulho fatal

Para águas mais distantes

Cristiano Cobra é poeta de Campinas. Escreve poesia, música e roteiros para produções culturais, como o podcast de audiodramas "O Bardo".

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