Poeta 100 de 102
Elena Betel
23H
Apaguei as luzes,
fechei os olhos,
ignorei um passado que pedia ajuda
e esqueci um destino não entregue.
Rendi-me a te viver entre as minhas pernas.
Mergulhei no medo de abrir meus ferrolhos,
resoluta à dor extrema
do rasgar da minha euforia
que não via a hora de sair.
Medo de conhecer esse meu lado;
carnívoro por natureza.
Escondi-me nos teus braços.
Teu toque foi uma bênção,
um carinho relaxante.
Entreguei-me tremendo,
insegura da minha culpa,
convencida de te manipular
para obter uma dose suficiente.
Suficiente para aplacar minhas batalhas.
Obriguei-me a sedar-me com prazer.
Se soubesses o que meu corpo diz,
saberias que um abraço é uma drenagem,
que um orgasmo é despojo e paz.
Quis que sentisses minha energia
e que conectássemos sem máscaras.
Vivi cada minuto presente,
arrepios, umidade...
calor, circulação e excitação.
A liberdade de uma mente calada,
a vontade de voltar a abrir os olhos.
Elena é escritora multicultural de identidade global. Ganhadora de prêmio de publicação pela Biblioteca Gralha Azul, e autora de poesias voltadas ao autocuidado sensível.