Poeta 91 de 102
Jorge Fernando
RIO ADENTRO
Rio adentro, mais adentro...
É na grandeza do que é profundo
Que se regem os delírios...
Onde duas vontades se enleiam
Na promessa de um único desejo
Um beijo e luz ateiam o fogo, desencadeiam
Avalanches de átomos e suor... Pulsão
Choque de tectônicas placas – vulcão
E como lava que se solta e se amolda
Meu corpo agora já não é mais o meu corpo...
Mergulhado no teu magma, que ferve
Os sorrisos assombrados, intensamente juvenis
E outro, agora o mais suave dos beijos
Seduzindo a luz e a própria natureza
Em dois desatinados...Lampejos
Meu olho refletido no teu olhar
Como espelho e fábula... Sem rodeios
Mais adentro... rio adentro...No imenso do ser...
Até mais adentro de nós, sós e imersos
Adentrando um no outro... Nas artérias, pelos ossos...
E o apogeu – o ardor despertado em sua sonoridade
Ó prazer!...Sentir-me quase morto…
Mas é por ser todo teu
E gozar de novo, tudo crescer, em tua boca, líquida, ávida
Tatear a incerteza de mim na tua pele justa, acesa
Reconhecer-me enfim em tua alma-verdade!
Jorge Fernando é escrevinhador atento, encontra na escrita seu alento. Dedica-se de corpo e alma à poesia.