Poeta 60 de 102

Lucas Brunno

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tortuosidades e torsões dos embaixadores que não se olham, da sua mão repousada em objeto fálico, da minha descalçando luvas por hábito, apatia. repousará minha mão carne na sua. que nua desfará em celeridade a clausura de nossa cenografia: quebraremos o mundo; desfaremos harmonias. e os caminhos abertos entre as camadas de roupas tais quais minhas luvas, despidas e suas calças arriadas e as minhas desabotoadas e o alaúde intocado e as costas arqueadas e as bocas abafadas e o crânio anamórfico e a mão no objeto fálico é minha carne na sua quente, forte, pulsante. e o mundo se desfazendo em rebeldia.

Lucas Brunno nasceu em 1992. Professor, escritor e artista gráfico, atua entre educação, dramaturgia e escrita cênica.