Poeta 80 de 102

Luiz Eduardo de Carvalho

VERTIGINOSA ODALISCA

Pulamos mil e uma noite apenas nos separou!

A bailarina de arte que toda plateia venera,

eis a Sherazade espelhada no revés da espera...

Sem adiamentos, o movimento do tempo superou,

dançarina faminta devoradora de rei libidinoso,

entrou no jardim dos caminhos que se bifurcam

com ofídico bailado inoculando-se venenoso,

sem receios, véus, vergonhas ou burcas!

E veio com as vestes de odalisca

pequena isca de carne mourisca

a fisgar o atento pescador!

Sabia apenas de seu desejo,

no imenso deserto,

o iminente risco da dor

e o prazer mais que certo.

E num claro lampejo,

tapa ardido fez faísca,

fagulha, centelha, chispa,

espalhou-se pelo seco

e o deserto incendiou!


A paixão não se adiou,

incontinenti fez-se refém

do sultão já sem harém

e dele, única prisioneira,

foi todas as concubinas,

a presa primeira,

sua eleita menina!

Luiz Eduardo de Carvalho é escritor e gestor cultural. Autor premiado, publicou 18 livros em diversos gêneros.

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