Poeta 51 de 102
Thiago Novaes
MELODIE
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Lânguida suçuarana vespertina
Mordisca minha orelha
Me acaricia a virilha
E me acorda com seu desejo
De maçã
Sente a hora de respirar
Gozar corpo com corpo
Pêlo com zêlo, acaricia-se
E a língua se fabrica
Em minhas costas desprotegidas
Da janela entreaberta sopra
A bênção de Vênus
Enquanto me desfaço do sonho
O membro já pulsa, se agita
Anjos e demônios juntos, bebendo
Se falo na boca, deliro
Em cada palmo de transe me calo
Nada me aflige, vigília
Olhos nos óleos, deslizam
Sugando a imensidão do ato
O tempo pousa, consente
Isca vermelha, me lambuza
Clitóris nos dentes, quem ousa
Banhar-se no sol de uma orquídea
E logo se apruma e timidamente se afasta
De bruços descansa meu talismã
Rebole, contorça, retorne, rebata
Espasme de novo até de manhã
Thiago Novaes é poeta e tradutor, doutor em Antropologia e trabalha com arte, tecnologia e políticas públicas.