Poeta 24 de 102

Kauan Amora

A UM DEUS

Elevarei um altar subterrâneo, na minha alma devassa. Cavarei num canto negro em meu ser, uma capela azul com Uma esmeralda cravada, Onde tu te erguerás, Estátua deslumbrada. Com meus versos polidos de puro metal Gravarei em teu corpo rimas de cristal, E pelo meu ciúme, ó Deus tão amado, Te farei um manto com meu sangue marcado Teu vestido será meu desejo, a tremer, Ondulante, o desejo a subir e a descer, Nas pontas se projeta e nos vales descansa, E reveste de um beijo a tua linda carne mansa Do meu respeito, te farei os mais belos calçados De cetim, para teus pés divinos humilhados Se não puder, malgrado a arte dedicada, Talhar-te-ei em leito suntuoso uma lua prateada

Kauan Amora é escritor, dramaturgo, ator e professor de teatro. É doutor em História Social da Amazônia e docente na UFRA.